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domingo, 5 de janeiro de 2014

Matança Boi Ceará



“Valei-me São Sebastião!”, apela o vaqueiro recorrendo, após a morte do boi, ao seu protetor. Vaqueiro, capitão e, claro, o boi são os protagonistas do festejo, a Matança do Boi em homenagem ao santo. A tradição será mantida pelos brincantes do grupo Boi Ceará que se apresentam nas Goiabeiras. Lá, a opereta nordestina é conduzida pelo Mestre Zé Pio, guardião da memória dos antigos grupos de bumba meu boi em Fortaleza.

A Matança do Boi acontece há mais de 20 anos, sendo comandada por Zé Pio há onze. “Meu objetivo é levar o bumba meu boi ao conhecimento do povo”, diz Mestre Zé Pio, intitulado Mestre da Cultura cearense desde 2005 por seus serviços prestados ao desenvolvimento da cultura cearense. A mensagem da matança, que acontece sempre dia 20 de janeiro, é a de renovação para o ano que está começando.

Em 2014, a festa será realizada nas Goiabeiras. rua Vento Leste, onde o mestre mora. Na encenação da matança, há a batalha do cordão vermelho com o cordão azul e a luta entre o vaqueiro e o capitão.
Vida dedicada ao Boi
O pesquisador Gilmar de Carvalho diz, no livro Mestres da Cultura Tradicional Popular do Ceará, que Zé Pio “carrega, desde criança, toda a tradição dos bois de Fortaleza”. O mestre confirma e assegura que é ele quem mantém a “grande memória” dos festejos do Boi dentro de Fortaleza.

José Francisco  Rocha, o Zé Pio, se dedica ao bumba meu boi desde os três anos de idade, quando começou a brincar. Ele afirma que antes o festejo era mais valorizado na periferia fortalezense e que isso mudou desde a instalação de aparelhos de TV em praças públicas. “Até 1963, os festejos eram mais valorizado, depois veio a televisão logo acabando com tudo que era brinquedo: o bumba, o drama, o pastoril, o coco, o fandango”.

Até 2005, Zé Pio conduzia o Boi Juventude, passando, em seguida, a coordenar o grupo Boi Ceará. Em 2008, a casa do mestre foi reformada e se transformou em sede oficial do Boi Ceará, do Reisado Nossa Senhora de Fátima e do Cordão Guerreiros Brincantes. Zé Pio ganhou edital do Ministério da Cultura para transformar o local, localizado nas Goiabeiras, entre a Barra do Ceará e o Pirambu, em Ponto de Cultura.

Para Dona Lúcia, esposa do mestre, a vida da família “mudou para melhor” quando sua casa passou a ser um espaço de cultura. “Antes o Zé Pio era pescador e a gente passava muita necessidade”. Dona Lúcia diz que seu marido sempre foi apaixonado pelo bumba meu boi. “Desde que eu conheço o Zé Pio, que ele é ligado a essa brincadeira”.

O mestre afirma que, apesar do apoio governamental, ainda falta incentivo maior. “Minha esperança é que o novo prefeito valorize mais a cultura do bumba meu boi, que anda muito esquecida”. Zé Pio reclama também do atraso no repasse das verbas e da falta de interesse de setores da população. “O povo tem que aprender a olhar o que é de raiz na nossa terra, a riqueza da nossa cultura”.

SERVIÇO 

Matança do Boi - Grupo Boi Ceará

Quando: Dia 20/01/2014
Onde: Goiabeiras
Endereço: rua Vento leste , 94
Horário: 19h



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Boi Ceará, Alegria e Tradição.


O Bumbá Meu Boi Ceará ( Mestre Zé Pio ) foi contemplado no edital Natal de Luz 2012, da Secult ( Governo do Estado do Ceará ) o Projeto visa fazer Apresentação em 10 Bairro, Oficinas, Cursos e a Matança do Boi Ceará.


Viva a Nossa Cultura...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012



A pequena casa de Zé Pio foi reformada, ganhou um segundo andar (onde eles moram hoje) e teve o térreo transformado em sede oficial do Boi Ceará, assim como do Reisado Nossa Senhora de Fátima e do Cordão Guerreiros Brincantes, depois dele ganhar um edital do Ministério da Cultura para transformar o local, localizado nas Goiabeiras, entre a Barra do Ceará e o Pirambu, em Ponto de Cultura. Uma retângulo pintado em uma das parede do recinto registra os créditos governamentais.
 3 anos
MENINO

Zé Pio começou a brincar de Bumba-meu-boi menino novo ainda
 2005
MESTRE
Neste ano Zé Pio recebeu oficialmente o título de Mestre da Cultura

Perfil
José Francisco Rocha, nasceu em Fortaleza, no dia 4 de dezembro de 1946. Perdeu o pai aos 3 anos, mesma idade com que começou a brincar o bumba-meu-boi. Seguindo os passados do padrasto, à revelia da vontade do novo marido de sua mãe, tornou-se pescador, profissão que exerceu por quase toda a sua vida. Os bois em que participou e os outros tantos que criou foram sempre um lazer e uma paixão, até que veio o reconhecimento oficial da Secretaria da Cultura do Ceará em 2005, quando recebeu o título de Mestre da Cultura. De lá pra cá, fez da manifestação artística uma de suas principais ocupações e viu o filho Kiliano, o caçula de 8 rebentos, tomar gosto pelo ofício. Hoje, aos 65 anos, vendendo saúde e bom humor, nem pensa em largar as festas populares

Dona Lúcia, casada há 37 anos com Zé Pio, mãe dos 8 filhos com ele, acompanhou toda a entrevista de perto.


Entre a cozinha e um tamborete no pé da parede, riu de várias das histórias do marido.
  
Dona Lúcia achou graça até quando este relembrou os tempos de gigolô de Janete e a briga, segundo ele, das duas para ver quem ficava com o rapaz.
O filho Kiliano, de 25 anos, sentado em frente a um computador ali perto, também ouviu a conversa de banda e ajudou o pai quando a memória faltou.


Ao final da entrevista, Zé Pio fez questão de mandar um abraço e um “cheiro no cangote” para a Mestre Dina, vaqueira de Canindé, também contemplada com o título de Mestre da Cultura pela Secult.  
  

E enredou repórter e fotógrafo em uma série de perguntas de duplo sentido.: “Vamos dizer que você é um pombo e tá lá comendo millho, aí chega uma ruma de pombas do seu lado. Quantas pombas você come?”, 


Pergunta do leitor


Por que o senhor mudou o nome do seu Boi pra Boi Ceará??
Zé Pio - Depois que eu fiz a matança do Boi Juventude, em 2005, dei o Boi pro meu irmão. Aí eu fui na Dona Guiomar, a esposa do Mestre Assis, cheguei lá e pedi o nome do Boi pra resgatar a cultura do Boi Ceará e ela me deu com o maior prazer. Ela me deu só o nome, que boi, tudo, ema, burrinha, jaraguá, já tinha se acabado tudo. Hoje o Boi Ceará é do Mestre Zé Pio, mas não só do mestre. O Bumba-meu-boi Ceará é da comunidade, que eu não posso brincar no Boi só. Apenas o mestre Zé Pio tem uma sede e tem boi, tem ema, burrinha, tem cadeira, tem computador, isso tudo que nos ganhamos pra manter a cultura e isso é da comunidade.

Oswald Barroso, pesquisador da cultura popular